necrópole de sonhos
08/06/2010
As lágrimas escorregavam pelo casaco de lã. As mãos eram vermelhas do frio, e as unhas carregadas de barro.
Ele andava no escuro pela casa todas as noites, segurando páginas e páginas molhadas.
E em branco.
Desejou um dia não precisar de ninguém, porque isso era muito complicado.
Só que a dependência do que escrevia era mais complicada ainda.
Porque deixava vivo o que tinha acontecido.
Procurava em cadernos velhos algum resquício que ela poderia ter deixado. Gavetas, armários, pilhas e mais pilhas de cadernos, livros e papel.
Mas, nada.
Mais nada era o que ele tinha. Não se lembrava de uma só palavra, não trazia mais lembranças.
Não achava o que escreveu, e nem o que poderia escrever.
Do grafite não saía uma linha sequer. Segurava com força o lápis contra o papel, e a folha continuava em branco.
Tudo estava em um lugar que ele não sabia e que não existia mais.
Não se encontrava mais nessa vida.
Mas sim preso debaixo da terra, muito mais fundo do que ele conseguira imaginar.
E ele só poderia encontrar seus sonhos se tivesse um sono ainda mais profundo.
.
p.s.: o título desse post era o antigo nome do meu blog.
Pra mim: um trailer de filme!!
Muito booom!
Mais!
Mais!
Mais!
Beijo sister