As lágrimas escorregavam pelo casaco de lã. As mãos eram vermelhas do frio, e  as unhas carregadas de barro.

Ele andava no escuro pela casa todas as noites, segurando páginas e páginas molhadas.

E em branco.

Desejou um dia não precisar de ninguém, porque isso era muito complicado.

Só que a dependência do que escrevia era mais complicada ainda.

Porque deixava vivo o que tinha acontecido.

Procurava em cadernos velhos algum resquício que ela poderia ter deixado. Gavetas, armários, pilhas e mais pilhas de cadernos, livros e papel.

Mas, nada.

Mais nada era o que ele tinha. Não se lembrava de uma só palavra, não trazia mais lembranças.

Não achava o que escreveu, e nem o que poderia escrever.

Do grafite não saía uma linha sequer. Segurava com força o lápis contra o papel, e a folha continuava em branco.

Tudo estava em um lugar que ele não sabia e que não existia mais.

Não se encontrava mais nessa vida.

Mas sim preso debaixo da terra, muito mais fundo do que ele conseguira imaginar.

E ele só poderia encontrar seus sonhos se tivesse um sono ainda mais profundo.

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p.s.: o título desse post era o antigo nome do meu blog.

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