sexta nota

05/06/2011

a melhor indiferença é a de quem odeia, a pior indiferença é a de quem ama.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

ciclo da água

31/01/2011

E depois de toda a inundação, a gente aprende que é melhor construir uma represa. Também dá pra desviar a água por canos que ninguém vê. E você meio que acaba esquecendo-a em um reservatório. Às vezes, geralmente em época de cheia, as turbinas giram mais rápido. A represa quebra, arrebenta, não existe mais. Não tem como segurar. Transborda tudo o que você tinha armazenado. Aquela tal cachoeira salgada cai em um lago de água turva.  É difícil nadar, e você decide pedir ajuda, sabe que isso será bom. Enquanto isso acaba a luz, e você não é o único a ficar no escuro.

quarta nota

08/01/2011

Minha barriga ronca e eu acho que meu celular está vibrando.

Conclusão: Estou com fome e ninguém me liga!

karma police

24/07/2010

Tudo estava devagar.

A luz do semáforo desenhava em linhas o que estava fora do lugar.

A estrada era a única contínua, mas confundida pela neblina.

A janela 1/4 aberta aliviava a dor na testa.

Não era só o rádio fora de sintonia.

O pára-brisa era o único ritmo constante, uma canção de ninar.

As mãos escorregam do volante.

E um minuto foi o ponto de fuga.

Foi só um intervalo em olhos fechados.

O céu sem estrelas foi contra as luzes barulhentas.




As lágrimas escorregavam pelo casaco de lã. As mãos eram vermelhas do frio, e  as unhas carregadas de barro.

Ele andava no escuro pela casa todas as noites, segurando páginas e páginas molhadas.

E em branco.

Desejou um dia não precisar de ninguém, porque isso era muito complicado.

Só que a dependência do que escrevia era mais complicada ainda.

Porque deixava vivo o que tinha acontecido.

Procurava em cadernos velhos algum resquício que ela poderia ter deixado. Gavetas, armários, pilhas e mais pilhas de cadernos, livros e papel.

Mas, nada.

Mais nada era o que ele tinha. Não se lembrava de uma só palavra, não trazia mais lembranças.

Não achava o que escreveu, e nem o que poderia escrever.

Do grafite não saía uma linha sequer. Segurava com força o lápis contra o papel, e a folha continuava em branco.

Tudo estava em um lugar que ele não sabia e que não existia mais.

Não se encontrava mais nessa vida.

Mas sim preso debaixo da terra, muito mais fundo do que ele conseguira imaginar.

E ele só poderia encontrar seus sonhos se tivesse um sono ainda mais profundo.

.

p.s.: o título desse post era o antigo nome do meu blog.

O bilhete que ficou no bolso. O maltido sinaleiro, que hesita no amarelo para chegar ao vermelho. Uma ligação por engano.  Uma surpresa. O acidente de uma pessoa desastrada. Uma previsão do tempo errada. O fio que arrebentou, o laço. A decisão imediata. O erro do ensaio. A mentira revelada. A promessa quebrada. Um momento de epifania, ou uma tarde cheia delas. O grafite que acabou, o nanquim. A queda da memória.

O relógio que não despertou.

Um sonho.

E um monte de coincidências.

Não chame isso de destino.

geometria básica

19/04/2010

- Retas tão precisamente paralelas que a diferença entre elas salientavam uma impossível intersecção.

- E o infinito?

- Inatingível.

- Quer estar no meu plano?

- Precisamos de 3 pontos.

- Mas que droga de triângulo!

terceira nota

14/03/2010

In the way I see it:

Gravity is insane,

catchs your head in the earth

just when we have blame.

~


É só uma febre que não consegue suar para fora.

Honra: está mais do que na hora.

A sinestesia cede lugar à anestesia.

Sem efeito.

Vai morfina!

Agulha radioativa.

Um alucinógeno que não combina.

Essa veia não é minha.

É seu sangue aqui que aglutina.

Lisérgica hipocondria.

Um ritmo se mantinha,

ainda bate?

Renuncie sístole intermitente!

Está mais pra lá do que pra cá.

O suor condensa no linóleo quente.

A diástole insiste e mente.

Já?

.


Uma lágrima muda pende ao claro anunciar.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.